quarta-feira, 27 de março de 2013


Sabe , 
O ano está perto de terminar , a partir da meia noite de hoje faltarão apenas nove dias , mas o ano não vai acabar do jeito que eu queria . Não vou dizer que estou completo , e dizer que estou completamente feliz , pois não é verdade . Uma única pessoa seria capaz de mudar com meu ano , fazer o meu ano de 2013 o melhor , mas será que isso vai acontecer ?
Deixar o orgulho de lado seria ótimo , até consigo , mas o medo de ouvir certas coisas me bloqueia de fazer o que eu realmente quero .
Isso não se chama arrependimento , mas é simplesmente SAUDADE .


Por você mudei meu jeito de pensar , de agir , de falar , de gostar e de amar . De acreditar , de realizar , de cantar e de beijar .
Por você mudei meu jeito de ser , de viver , de crer , de aprender , de se submeter , de escolher , busquei ser , tentei ser.
Por você mudei minhas escolhas , minhas fantasias , meu sonhos , minhas atitudes , minhas prioridades , minhas vontades , . Mudei meus medos , mudei meus zelos , menos meu time de futebol haush '
Com você aprendi , persisti , sofri , sorri , dividi , resisti e de você desisti .
Nas poesias , eu sempre falo sobre vida , etc . Hoje vou falar de algo que tem haver ..
Já ouviram falar no ditado ' Os fracos desistem , os fortes continuam ' .. Eu nunca tinha desistido de nada , hoje finalmente chegou minha primeira vez , eu desisti .
E não por ser fraco , e sim por cansar .
Chega em uma hora que o coração pede pra apertar no start , e as vezes não voltar ao jogo .
Pede pra parar de sofrer , cansado .. Cansado .
A rebeldia me dominou , agora decidi um ponto final pro coração .
Decidi deixa-lo de lado , pelo fato de ele estar sendo muito maltratado , e dentre lágrimas e sorriso , Aqui Jáz um jovem Apaixonado.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Existe alguma razão em viver?


Osho,
Existe alguma razão em viver?
      O homem tem sido conduzido por todas as tradições de uma maneira esquizofrênica. Isso foi útil para dividir o homem em todas as dimensões possíveis, e criar um conflito entre essas divisões. Desta maneira o homem se torna fraco, inseguro, medroso, pronto para submeter-se, render-se; pronto para ser escravizado pelos sacerdotes, pelos políticos, por qualquer pessoa.
      Essa questão também surge a partir de uma mente esquizofrênica. Será um pouco difícil para você entender porque você pode nunca ter pensado que a divisão entre fins e meios é a estratégia básica da criação de divisões no homem.
      Viver tem algum significado, algum razão, algum valor? A questão é: Existe algum objetivo a ser alcançado na vida, vivendo? Existe um lugar aonde você chegará algum dia através da vida?
      Viver é um meio e a meta, a realização, e em algum lugar distante, é o fim. E esse fim irá torná-lo significativo. Se não existe fim, então certamente a vida é sem sentido; um Deus é necessário para fazer sua vida significativa. Primeiro cria-se a divisão entre fins e meios. Que divide sua mente. Sua mente está sempre perguntando: Por que? Para que? E qualquer coisa que não tenha resposta para a questão, "Para que?" lentamente, lentamente se torna sem valor para você. É por isso que o amor se tornou sem valor. Qual é a razão existente no amor? Para onde isso levará você? Qual será a realização disso? Você alcançará alguma utopia, algum paraíso? Claro, não há razão no amor dessa maneira. É sem razão. Qual é o razão da beleza? Você vê um pôr do sol você fica estonteado, é tão lindo, mas qualquer idiota consegue perguntar, "Qual é o significado disso?" e você ficará sem nenhuma resposta. Se não tem nenhum significado então porque desnecessariamente você está comentando sobre a beleza?
      Uma bela flor, ou uma bela pintura, ou uma bela música, uma bela poesia elas não tem nenhuma razão. Elas não estão argumentando para provar algo, nem são meios para chegar a qualquer fim. E viver consiste só em coisas que são sem razão. Deixe-me repetir isso: viver consiste só em coisas que são absolutamente sem razão, as quais não tem nenhum significado, significado no sentido de que não tem nenhuma finalidade, que não leva você a lugar algum, que você não obtém nada através disso.
      Em outras palavras, a vida é significativa em si mesma. Os meios e os fins estão juntos, não separados. E essa é a estratégia de todos os que tem cobiçado o poder, ao longo dos séculos: que meios são meios e fins são fins.
      Meios são úteis porque eles o levam para um fim. Se eles não o levam para um fim, eles são sem sentido. Dessa forma, eles destruíram tudo o que realmente é significativo. E eles impuseram coisas para você que são absolutamente insignificantes. Dinheiro tem uma razão. Uma carreira política tem uma razão. Ser religioso tem uma razão, por que esse é o meio para se chegar ao céu, a Deus. Negócios tem uma razão porque imediatamente você vê o resultado final. Negócio tornou-se importante, política tornou-se importante, religião tornou-se importante; poesia, música, dança, amor, simpatia, beleza, verdade, todas desapareceram da sua vida. Uma simples estratégia, que destruiu tudo aquilo que faz de você digno, que dá êxtase para o seu ser. Mas a mente esquizofrênica perguntará, "Qual é a razão do êxtase?"
      Pessoas tem me perguntado, centenas de pessoas, "Para que serve a meditação? O que eu ganharei com isso? Primeiro, é muito difícil alcançar e mesmo se conseguirmos alcançar, qual vai ser o resultado final?" É muito difícil explicar para essas pessoas que a meditação é um fim em si mesma. Não existe um final além disso. Qualquer coisa que tenha um final além dela mesma é só para a mente medíocre. E qualquer coisa na qual tenha um fim em si mesma é para as verdadeiras pessoas inteligentes.
      Mas você verá pessoas medíocres se tornando presidente de um país, primeiro ministro de um país; se tornando o homem mais rico do país, se tornando papa, se tornando um líder religioso. Mas essas são todas pessoas medíocres; sua única qualificação é a sua mediocridade. Eles são de terceira categoria e basicamente são esquizofrênicos. Eles dividiram suas vidas em duas partes: fins e meios.
      Minha abordagem é totalmente diferente: Fazer de vocês um único todo. Eu quero que vocês vivam apenas pela graça de viver. Os poetas tem definido a arte como para sua própria graça, não existe nada além disso:arte pela graça da arte. Não apelará pela mente medíocre absolutamente porque ele não conta as coisas em termos de dinheiro, posição, poder. Sua poesia fará de você o primeiro ministro de um país? Daí seria significativo. Mas na verdade sua poesia pode fazer de você apenas um mendigo, porque quem vai comprar sua poesia?
      Eu conheço muitos gênios que estão vivendo como mendigos pela simples razão de que eles não aceitaram viver mediocremente, e eles não se permitiram tornar esquizofrênicos. Eles estão vivendo de maneira clara, eles têm um júbilo que político nenhum irá jamais ter, eles tem uma certa radiância que bilionário nenhum irá conquistar. Eles tem um certo ritmo em seus corações no qual essas pessoas chamadas religiosas não tem idéia. Mas, até onde o exterior deles é julgado, eles tem sido reduzidos pela sociedade a viver como mendigos.
      Eu gostaria que vocês se lembrassem de um grande, talvez o maior, pintor holandês; Vicent van Gogh. Seu pai queria que ele se tornasse um ministro religioso, viver uma vida de respeito confortável, conveniente e não apenas nesse mundo, no outro mundo depois de morrer também.
      Mas Vicente van Gogh queria ser pintor.
      O pai dele disse, "Você está maluco!"
      Ele disse, "Pode ser. Para mim, você é o maluco. Eu não vejo nenhum significado em se tornar ministro porque tudo que eu iria dizer não seria nada além de mentiras. Eu não conheço Deus. Eu não sei nem se existe céu ou inferno. Eu não sei nem se existe vida após a morte ou não. Eu estaria continuamente contando mentiras. Claro, isso é respeitável, mas esse tipo de respeito não é para mim; Eu não estarei feliz com isso. Será um tortura para minha alma."
      Seu pai o expulsou de casa. Ele começou a pintar e ele é o primeiro pintor moderno. Você pode traçar uma linha em Vicente van Gogh; antes dele a pintura era ordinária. Até mesmo os maiores pintores, como Michelangelo, são de menor importância comparados com Vicente van Gogh, porque o que eles estavam pintando era ordinário. A pintura deles era mercadoria.
      Michelangelo pintou para igrejas sua vida toda; pintando muros e tetos de igrejas. Ele quebrou a coluna pintando o teto de uma igreja, porque para pintar um teto você tem que deitar num andaime alto enquanto você pinta. É uma posição muito desconfortável e por dias seguidos, meses seguidos... Mas ele estava ganhando dinheiro, e estava ganhando respeito. Ele estava pintando anjos, Cristo, Deus criando o mundo. A pintura mais famosa dele é Deus criando o mundo.
      Vicente van Gogh começou em uma dimensão totalmente nova. Ele não vendeu uma simples pintura em toda sua vida. Agora, quem dirá que as pinturas dele tinham alguma razão? Nem uma simples pessoa poderia ver que havia qualquer coisa em suas pinturas.
      Seu irmão mais jovem costumava mandar dinheiro para ele; suficiente para ele não morrer de fome, apenas o suficiente para sete dias, comida para toda semana porque se ele desse de uma vez o suficiente para um mês inteiro ele iria gastar dentro de dois ou três dias, e os outros dias eles passaria fome. Toda semana ele mandava dinheiro para ele. E o que Vicente van Gogh estava fazendo era, por quatro dias ele comia, e por três dias, entre os quatro dias, ele guardava dinheiro para suas tintas e telas.
      É algo totalmente diferente de Michelangelo, que ganhou dinheiro suficiente, que se tornou um homem rico. Ele vendeu todas as suas pinturas. Elas foram feitas para serem vendidas, era negócio. Claro, ele era um grande pintor, então mesmo pintando para serem vendidas eram lindas. Mas se ele tivesse tido a profundidade de um Vicente van Gogh, ele teria enriquecido o mundo todo.
      Três dias passando fome, e van Gogh comprava as tintas e telas. Seu irmão mais novo ouviu dizer que nenhuma de suas pinturas tinham sido vendidas, ele deu dinheiro a um homem, um amigo dele, não conhecido por Vicente van Gogh, e disse a ele para ir lá e comprar pelo menos uma das pintura: "Isso daria a ele alguma satisfação. O pobre homem está morrendo; ele pinta durante todo o dia, passa fome para poder pintar mas ninguém compra suas pinturas ninguém vê nada nelas." Porque para ver algo nas pinturas de Vicent van Gogh você precisa o olho de um pintor do calibre de van Gogh; menos que isso não é possível.
      As pinturas dele parecerão estranhas para você. As árvores dele são pintadas tão altas que vão além das estrelas; as estrelas são deixadas para trás. Agora, você achará esse homem maluco... árvores indo mais alto do que as estrelas? Você já viu essas árvores em algum lugar? Quando perguntaram a Vicent van Gogh, "Suas árvores sempre vão além das estrelas...? ele disse, "Sim porque eu entendo as árvores. Eu sempre senti que as árvores tem a ambição sobre a terra de alcançar as estrelas. Caso contrário, por quê? Tocar as estrelas, sentir as estrelas, ir além das estrelas - isso é o desejo da terra. A terra se esforça, mas não pode realizar seu desejo. Eu posso fazer isso. As árvores entenderão minhas pinturas, e eu não me importo com vocês, se vocês entendem ou não."
      Agora, esse tipo de pintura você não consegue vender. O homem que seu irmão mandou veio. Van Gogh estava muito feliz: pelo menos alguém tinha vindo comprar. Mas logo sua felicidade tornou-se frustração porque o homem olhou ao redor, pegou um pintura e deu o dinheiro.
      Vicent van Gogh disse, "Mas, você entendeu a pintura? Você pegou tão descuidado, você nem olhou; Eu tenho centenas de pinturas. Você nem mesmo preocupou-se em olhar a sua volta; você simplesmente pegou uma que estava acidentalmente a sua frente. Eu suspeito que você foi mandado pelo meu irmão. Coloque a pintura de volta, e pegue seu dinheiro de volta. Eu não venderei a pintura para um homem que não tem olhos para pintura. E diga ao meu irmão para nunca mais fazer tal coisa novamente."
      O homem ficou intrigado. Como é que ele conseguiu descobrir isso? Ele disse, "Você não me conhece, como você descobriu?"
      Ele disse, "É tão simples. Eu sei que meu irmão quer que eu me sinta valorizado. Ele deve ter manipulado você - e esse dinheiro pertence a ele porque eu posso ver que você é tão cego quanto ao valor das pinturas. E eu não sou do tipo que vende pinturas para pessoas cegas; Eu não posso explorar um homem cego e vender um pintura. O que ele fará com isso? E diga ao meu irmão que ele também não entende pinturas, de outra forma ele não mandaria você."
      Quando o irmão ficou sabendo, ele veio se desculpar. Ele disse, "Em vez de dar a você um pouco de consolo, eu o feri. Eu jamais farei tal coisa de novo."
      Em sua vida inteira, van Gogh só deu pinturas para amigos: para o hotel onde ele costumava comer quatro vezes por semana ele presenteou com uma pintura, ou para uma prostituta que lhe disse certa vez que ele não era um homem bonito. Para ser absolutamente sincero, ele era feio. Nenhuma mulher sequer se apaixonou por ele, era impossível. E essa prostituta por compaixão, e às vezes as prostitutas tem mais compaixão do que as suas chamadas senhoras, elas entendem mais sobre homens só por compaixão ela disse, "Eu gosto muito de você."
      Ele nunca havia escutado isso. Amor era uma coisa tão distante. Até mesmo um gostar... Ele disse, "Sério, você gosta de mim? O que você gosta em mim?" Agora, a mulher estava perdida. Ela disse, "Eu gosto das suas orelhas. Suas orelhas são lindas." E você ficará surpreso que van Gogh foi para casa, cortou a orelha com uma navalha, empacotou-a lindamente, foi até a prostituta e deu sua orelha à ela. E o sangue estava escorrendo...
      Ela disse, "O que você fez?"
      Ele disse, "Ninguém jamais gostou de qualquer coisa em mim. E eu sou um homem pobre, como eu posso agradecer você? Você gosta da minha orelha; Eu presenteei você com ela. Se você tivesse gostado dos meus olhos, eu teria lhe dado meus olhos. Se você tivesse gostado de mim, eu teria lhe dado minha vida."
      A prostituta não pode acreditar. Mas pela primeira vez, van Gogh estava feliz, sorrindo; alguém gostou pelo menos de uma parte dele. E a mulher só tinha feito uma brincadeira caso contrário, quem se importaria com suas orelhas? Se as pessoas gostam de algo, elas gostam dos seus olhos, seu nariz, seus lábios você não irá ouvir dois amantes dizendo que gostam das orelhas um do outro.
      Somente nas antigas escrituras Hindu sobre sexologia: o Kamasutra de Vatsyayana... Este é o único livro que eu fui capaz de encontrar que pode estar conectado com esse incidente cinco mil anos depois com Vicent van Gogh, porque só o Vatsyana diz, "Pouquíssimas pessoas sabem que os lóbulos das orelhas são tremendamente sexuais e sensitivos pontos no corpo. E os amantes deveriam brincar com os lóbulos dos ouvidos um do outro" e isso é um fato, embora desconhecido. Se você começar a brincar com os lóbulos das orelhas do seu amante, ela ou ele pode achar que você é um pouco louco - o que você está fazendo? Porque as pessoas se tornaram aficionadas em certas ideias: beijar tudo bem... Mas existem tribos onde ninguém jamais ouviu falar sobre beijo; ninguém jamais ouviu falar sobre beijo; eles esfregam os narizes, e isso é considerado o mais amável gesto. Certamente é mais higiênico, muito mais medicamente suportável do que o beijo francês. As pessoas que esfregam os narizes acham as pessoas que se beijam a moda francesa sujas, simplesmente sujo.
      Mas essa prostituta talvez fosse ciente... porque prostitutas se tornam consciente de muitas coisas que a mulher e o homem ordinário não se tornam, porque elas estão sempre em contato com tantas pessoas. Talvez ela soubesse que as orelhas tem um significado sexual. Elas certamente tem. Vatsayana é um dos maiores especialista. Freud e Havelock Ellis e outros sexólogos são só pigmeus ante Vatsayana. E quando ele diz algo, ele quer mesmo dizer.
      Van Gogh viveu sua vida inteira na pobreza. Ele morreu pintando. Antes de morrer ele enlouqueceu, porque por um ano continuamente ele ficou pintando o sol: centenas de pintura, mas nada chegou ao ponto que ele queria. Mas o dia todo em pé no lugar mais quente da França, em Arles, com o sol na cabeça - porque sem a experiência como você pode pintar? Ele pintou sua última pintura, mas ele enlouqueceu. O calor, a fome... mas ele era imensamente feliz; e mesmo na sua loucura ele pintou. E essas pinturas que ele fez no hospício agora valem milhões.
      Ele se suicidou pela simples razão de que ele já tinha pintado tudo que ele queria pintar. Agora a pintura já estava acabada; ele havia chegado ao final. Não havia nada mais a se fazer. Agora continuar vivendo era só ocupar espaço, o lugar de alguém; isso era feio para ele. Por isso ele escreveu uma carta para seu irmão: "Meu trabalho está terminado. Eu vivi intensamente da maneira que eu escolhi viver. Eu pintei o que eu quis pintar. Minha última pintura eu terminei hoje, e agora eu estou pulando dessa vida para dentro do desconhecido, o que quer que isso seja, porque essa vida não mais contém qualquer coisa para mim."
      Você considerará esse homem um gênio? Você considerará esse homem inteligente, sábio? Não, ordinariamente você pensará que ele é simplesmente maluco. Mas eu não diria isso. Sua vida e suas pinturas não eram duas coisas: pintar era sua vida, essa era a vida dele. Então, para o mundo todo isso parece suicídio - não para mim. Para mim isso simplesmente parece um fim natural. A pintura está completa. A vida está cumprida. Não havia outro objetivo; se ele recebe o Prêmio Nobel, se qualquer pessoa aprecia suas pinturas... Na sua vida ninguém apreciou seu trabalho. Na sua vida nenhuma galeria de arte aceitou suas pinturas, mesmo de graça.
      Depois dele morrer, lentamente, lentamente, por causa do sacrifício dele, pintar mudou todo o sabor. Não teria havido Picasso sem Vicent van Gogh. Todos os pintores que vieram depois de Vicent van Gogh são gratos a ele, incalculavelmente, porque esse homem mudou toda a direção.
      Lentamente, lentamente, com a mudança da direção, suas pinturas foram descobertas. Uma grande procura foi feita. As pessoas jogaram suas pinturas em suas casas vazias, ou em seus porões, achando que elas eram inúteis. Eles correram para seus porões, descobrindo as pinturas dele, limpando-as. Até mesmo pinturas falsificadas chegaram ao mercado como autênticas de van Gogh. Agora há somente duzentas pinturas; ele deve ter pintado milhares. Mas qualquer galeria de arte que tem um Vicent van Gogh se sente orgulhosa, porque ele derramou toda sua vida em suas pinturas. Elas não foram pintadas por cores, mas por sangue, por coração; seu coração bate nelas.
      Não pergunte a esse tipo de homem, "Existe alguma razão em pintar?"
      Ela está lá nas suas pinturas, e você está perguntando, "Existe alguma razão em pintar?" Se você não pode ver o significado, você é responsável por isso. Quanto mais alto uma coisa se eleva, menos pessoas irão reconhecê-la. Quando algo atinge o ponto mais alto, é muito difícil encontrar até mesmo poucas pessoas que reconheçam. No ponto Omega final, só a própria pessoa sabe o que aconteceu com ele; ele não consegue encontrar nem mesmo um segundo homem.
      Por isso que um Buddha tem que declarar-se por si mesmo que ele é iluminado. Ninguém mais pode reconhecer isso. porque para reconhecer, você terá que provar isso. Caso contrário, como você reconhece? Nenhum reconhecimento é possível porque o ponto é tão alto. Mas, o que significa um estado búdico? O que significa se tornar iluminado? Qual é a razão? Se você pergunta sobre a razão, não há nenhuma. Ela em si mesma é suficiente. Não precisa nada mais para tornar-se significante.
      É isso que eu quero dizer quando eu digo que as coisas realmente importantes na vida não são divididas em fins e meios. Não existe divisão entre fins e meios. Fins são os meios, meios são os fins, talvez dois lados da mesma moeda inseparavelmente juntas; na verdade elas são uma unidade, uma totalidade.
      Você me pergunta, "Existe alguma razão na viva, em viver?"
      Eu estou com medo de dizer que não existe nenhuma razão na vida, você pensará que isso significa que você deve cometer suicídio, porque se não há razão em viver, então o que mais fazer? - cometa suicídio!
      Eu não estou dizendo suicide-se, porque cometer suicídio também não há razão.
      Vivendo: viva, e viva totalmente. Morrendo: morra, e morra totalmente. E nessa totalidade você encontrará significado. Eu estou consideravelmente não usando a palavra "sentido", e usando a palavra significado porque "sentido" é contaminada. A palavra sentido sempre quer dizer algo mais.
      Você deve ter escutado, você deve ter lido em sua infância, muitas estórias... Por que eles escrevem para crianças? Talvez os escritores não saibam, mas isso é parte do mesmo tipo de exploração da humanidade. As estórias são assim: há um homem cuja vida depende de um papagaio. Se você matar o papagaio, o homem morrerá, mas você não pode matar o homem diretamente. Você pode atirar, e nada acontecerá. Você pode atacá-lo com sua espada e a espada passará pelo seu pescoço, mas o pescoço permanecerá ainda junto ao corpo, intacto. Você não pode matar o homem, primeiro você tem que descobrir onde sua vida está. Então nessas estórias a vida sempre está em outro lugar. E quando você descobre você só mata o papagaio e onde quer que o homem esteja, ele morrerá imediatamente.
      Até mesmo quando eu era criança, eu costumava perguntar para meu professor "Esse tipo de estória é muito estúpida porque eu não vejo ninguém cuja vida depende de um papagaio ou um cachorro ou qualquer outra coisa, como uma árvore." Era a primeira vez que eu escutava essa estória, esse tipo de estória; então eu me deparei com muitas outras. Eles escreviam especialmente para crianças. O homem que estava me ensinando era muito bacana e um senhor respeitável.
      Eu perguntei para ele, "Você pode me contar onde está sua vida? Porque eu gostaria de tentar..." Ele disse,"O que você quer dizer?" Eu disse, "Eu gostaria de matar o pássaro do qual sua vida depende." Você é uma homem inteligente, sábio, respeitável. Você deve ter colocado sua vida em algum outro lugar assim ninguém pode matá-lo. É este o significado dessa estória - que as pessoas sábias mantém suas vidas em outro lugar, assim você não consegue matá-los, assim ninguém consegue matá-los. E é impossível descobrir onde eles guardaram suas vidas a menos que eles contem o segredo, ninguém pode descobrir. E esse mundo é tão grande, e há tantas pessoas e tantos animais, e tantos pássaros, e tantos homens árvore... ninguém sabe onde aquele homem colocou sua vida.
      "Você é um homem sábio, respeitável você deve ter mantido em algum lugar; você pode contar só para mim. Eu não matarei o pássaro completamente; só darei a ele alguns puxões e beliscões, e ver o que acontece com você."
      Ele disse, "Você é um garoto estranho. Eu tenho ensinado essa estória a minha vida inteira, e você quer me dar puxões e beliscões. Isso é só uma estória." Mas eu disse, "Qual é o significado da estória? Por que você continua ensinando essa estória e esse tipo de coisa para as crianças?" Ele não pode responder.
      Eu perguntei para meu pai, "Qual será o significado dessa estória? Por que essas coisas devem ser ensinadas, que são absolutamente absurdas?" Ele disse, "Se seu professor não é capaz de responder, como posso eu responder? Eu não sei. Ele é muito mais educado, inteligente e sábio do que eu. Vá perturbá-lo, ao invés de perturbar a mim."
      Mas agora eu sei qual é o significado daquela estória e porque elas continuam sendo ensinadas para as crianças. Elas entram nos seus inconscientes e elas começam a pensar que a vida está sempre em outro lugar no céu, em Deus, sempre em outro lugar - não está em você. Você é vazio, apenas uma concha vazia. Você não tem sentido na sua vida aqui e agora. Aqui você é só um meio, uma escada. Se você subir a escada, talvez algum dia você encontrará sua vida, seu Deus, seu objetivo, seu significado, qualquer que seja o nome que você dê a isso. Mas eu lhe digo que você é o sentido o significado, e a própria vida está intrinsecamente completa.
      A vida não precisa de nada a ser adicionado. Tudo que essa vida precisa é que você viva-a totalmente. Se você só vive parcialmente, então você não sentirá a emoção de estar vivo. É como qualquer mecanismo quando apenas uma parte está funcionando...
      Por exemplo, em um relógio: se só o ponteiro dos segundos funcionar, mas nem o ponteiro das horas e dos minutos se moverem, só o ponteiro dos segundos continuar se movendo de que servirá? Haverá movimento, uma parte estará funcionando, mas a menos que todas as partes funcionem e trabalhem em harmonia, ele não poderá funcionar.
      E essa é a situação: todo mundo está vivendo parcialmente, uma pequena parte. Então, você faz barulho, mas você não consegue criar som algum. Você mexe suas mãos e pernas, mas nenhuma dança acontece. A dança, a música, o significado entra em harmonia com todas as funções da existência imediatamente, em acordo. Daí você não perguntará tal questão como: Existe alguma razão em viver? você saberá.
      A vida em si mesma é a razão. Não existe outra razão. Mas não foi permitido a você ser um com o todo. Você foi dividido, cortado em várias partes. Algumas partes foram completamente fechadas tão fechadas que você nem sabe que pertencem a você. Muito de você foi jogado no porão. Muito de você foi tão condenado que embora você saiba que exista, você não ousa aceitar que isso faz parte de você; você continua negando; você continua reprimindo. Você conhece apenas um fragmento muito pequeno de você, o que eles chamam de consciente, o qual é um produto da sociedade, não um coisa natural, o qual a sociedade cria dentro de você para controlá-lo internamente.
      A policia está do lado de fora, os tribunais estão do lado de fora controlando você. E o consciente está do lado de dentro, que é de longe o mais poderoso. É por isso que até mesmo nos tribunais, primeiro eles lhe dão a bíblia. Você faz um juramento sobre a bíblia porque o tribunal também sabe que se você é um cristão, colocando sua mão sobre a bíblia e dizendo, "Eu juro dizer somente a verdade, toda a verdade, nada mais que a verdade," seu consciente forçará você a falar a verdade, porque agora você jurou em nome de Deus, e tocou a bíblia. Se você falar uma mentira você será jogado no inferno. Antes, no máximo, se você fosse pego você seria jogado dentro da prisão por alguns meses, alguns anos. Mas agora você será jogado para dentro do inferno pela eternidade. Até mesmo o tribunal aceita que a bíblia é mais poderosa, que o Gita é mais poderoso, que o Koran é mais poderoso do que o tribunal, do que os militares, do que o exército.
      O consciente é uma das piores invenções da humanidade. E desde o primeiro dia em que a criança nasce nós começamos a criar um consciente nela; uma pequena parte que continua condenando qualquer coisa que a sociedade não quer em você, e continua apreciando qualquer coisa que a sociedade quer em você. Você não é mais um todo. Você não é mais um todo. O consciente passa continuamente a forçá-lo, de modo que você tem que sempre olhar para fora, Deus está assistindo. Todos os atos, todos os pensamentos, Deus está assistindo, tenha cuidado! Mesmo em pensamento não é permitido liberdade: Deus está assistindo. Que tipo de Fulano espiador é esse Deus? Em todos os banheiros 'Ele' está olhando através do buraco da fechadura; Ele não lhe deixa sossegado - até mesmo no seu banheiro?
      Existem tribos no mundo onde mesmo em seus sonhos se você faz algo errado, de manhã você tem que ir até a pessoa... Por exemplo, você insultou alguém no seu sonho de manhã você tem que ir até a pessoa e pedir perdão; "Perdoe-me, noite passada eu o insultei em meu sonho; Eu sinto muito." Até os sonhos são controlados pela sociedade. Você não é permitido até mesmo em sonho ser você mesmo.
      Eles continuam falando sobre livre iniciativa. Isso é tudo tolice porque desde o começo eles colocam as bases em todas as crianças para a não livre iniciativa. Eles querem controlar seus pensamentos. Eles querem controlar seus sonhos. Eles querem controlar tudo em você. É através de um dispositivo muito inteligente, o consciente. Isso o atormenta. Continua lhe dizendo, "Isso não é certo, não faça isso; você sofrerá." Continua forçando você: "Faça isso, é a coisa certa a se fazer; você será recompensado por isso."
      Esse consciente nunca permitirá você ser um todo, não permitirá você viver como se não existisse nada proibido, como se não existisse limites, como se você fosse deixado totalmente independente para ser o que quer que você possa ser. Aí sim a vida tem um significado, aí viver tem um significado, não no sentido de que isso o conduziu para fins, mas no sentido de que o conduziu para a vida em si mesma. Então, o que quer que você faça, nesse fazer está a sua recompensa.
      Por exemplo, eu estou aqui falando para vocês. Eu gosto disso. Por trinta e cinco anos eu tenho estado continuamente falando sem nenhum propósito. Com todo esse falatório eu poderia ter me tornado um presidente, um primeiro ministro; não teria problema algum. Com tanto falatório eu poderia ter feito qualquer coisa. O que eu ganhei? Mas eu não estou aqui para ganhar nada, em primeiro lugar. Eu gosto. Essa é minha pintura, essa era minha música, essa era minha poesia.
      Só nesses momentos quando eu estou falando e eu sinto a comunhão acontecendo, nesses momentos quando eu vejo os seus olhos flamejando, quando eu vejo que vocês alcançaram o ponto... isso me dá uma tremenda alegria que eu não consigo pensar em nada que possa ser adicionada a isso. Ação, qualquer ação feita totalmente, com cada fibra do seu ser...
      Por exemplo, se você amarrar minhas mãos eu não consigo falar, embora não exista nenhuma relação entre mãos e fala. Eu já tentei.
      Um dia, eu disse a um amigo que estava comigo, "Amarre as minhas mãos.."
      Ele disse, "O que?" Eu disse, "Apenas amarre-as, e então faça uma pergunta."
      Ele disse, "Eu sempre tive medo de você, você é louco. E agora se alguém ver que eu amarrei suas mãos.... e agora eu estou fazendo uma pergunta e você está respondendo, o que eles irão pensar?"
      Eu disse, "Esqueça tudo isso. Feche a porta e faça o que eu digo." Ele fez, porque ele tinha que fazer caso contrário eu teria mandado ele embora. Eu disse, "Sendo meu convidado, você não pode fazer essa simples coisa para mim? Então não me atrapalhe, caia fora."
      Então ele amarrou minhas mãos em dois pilares, e ele fez uma pergunta. Eu tentei de todas as maneiras possíveis, mas minhas mãos estavam atadas; Eu não consegui dizer qualquer coisa para ele. Eu simplesmente disse, "Por favor desamarre minhas mãos."
      Ele disse, "Eu não consigo entender o porque de tudo isso." Eu disse, "É simples, eu estava tentando ver se eu poderia falar sem as minhas mãos. Eu não consigo."
      O que dizer sobre as mãos... se eu colocar essa perna para o outro lado, e a outra perna sobre essa que é o jeito que eu sento no meu quarto quanto eu não estou falando... Se eu colocar sobre a outra perna, daí algo vai mal, eu não me sinto em casa. Então , o jeito que eu me sento, o jeito como eu movo minhas mãos, é um envolvimento total. Não é apenas falar com uma parte de mim; tudo em mim está envolvido nisso.
      E só então você pode encontrar a valor intrínseco de cada ato. Caso contrário você tem que viver uma vida de tensão, estendida entre aqui e ali, esse e aquele objetivo distante.
      Os pseudo religiosos dizem, "Claro, essa vida é só um meio você não pode se envolver totalmente; é só uma prova pela qual você tem que passar. Não é algo valioso, é só um degrau. O real está lá, bem distante." E assim sempre permanece distante. Onde quer que você esteja, o que é real está sempre distante. Então onde quer que você esteja, você estará perdendo a vida.
      Eu não tenho um objetivo. Quando eu estava na universidade eu costumava ir para uma caminhada de manhã, à noite, a qualquer hora... De manhã e de noite absolutamente, mas se tivesse outro tempo disponível, eu iria também para uma caminhada, porque o lugar, as árvores, as ruas eram tão lindas, e cobertas com árvores tão grandes de ambos os lados que até mesmo no alto verão havia sombras nas ruas.
      Um dos meus professores que gostava muito de mim costumava me assistir: que alguns dias eu ia por uma rua, e outros dias eu ia por outra rua. Havia um pentágono em frente ao portão da universidade, cinco ruas indo para cinco direções, e ele vivia muito perto de lá; na última instalação perto do portão. Ele me perguntou, "As vezes você vai por essa rua, as vezes por aquela rua. Para onde você vai?" Eu disse, "Eu não vou a lugar algum. eu simplesmente vou caminhar."
      Se você está indo para algum lugar então certamente você continuará indo pela mesma rua; mas eu não estava indo a lugar algum, isso era só parte da minha excentricidade. Eu ia para o pentágono e eu costumava ficar lá de pé parado por alguns instantes. Isso o deixava mais intrigado: como eu decidia? o que eu fazia ficando lá de pé? Eu costumava decidir dependendo para onde o vento estivesse soprando. Para onde quer que o vento estivesse soprando era para lá que eu iria; esse era o meu destino. "Então às vezes," ele dizia, "Você vai pela mesma rua por uma semana continuamente; às vezes você vai só um dia, e no dia seguinte você muda. O que você faz lá? E como você decide?" E eu disse a ele, "É muito simples. Eu fico lá de pé e eu sinto' qual rua me chama, para onde o vento está soprando. Eu vou com o vento. E é lindo ir com o vento. Trotando, correndo, o que quer que eu queira fazer. E o vento está lá, fresco, disponível. Então, é assim que eu decido."
      A vida não é ir para algum lugar. É apenas um 'ir para uma caminhada matinal'. Escolha para onde quer que todo seu ser esteja fluindo, para onde o vento esteja soprando. Vá por esse caminho o mais longe que ele puder lhe levar, e nunca espere encontrar qualquer coisa. Por isso que eu nunca fui surpreendido, porque eu nunca estive esperando nada. Então a questão não é o que me surpreende: tudo é uma surpresa. E não existe desapontamento: tudo é contentamento. Se for assim, bom; se não for assim, melhor ainda.
      Uma vez entendido que viver momento a momento é tudo o que significa religião, então você entenderá o porque de eu dizer em abandonar essa idéia de Deus, céu e inferno, e toda essa baboseira. Só precisa abandonar isso completamente por causa disso, estando carregado com tantos conceitos você está sendo impedido de viver momento a momento. Viva a vida em uma unidade orgânica. Nenhum ato deveria ser parcial, você deveria estar inteiramente envolvido nisso.
      Uma estória Zen.
      Um rei muito curioso, querendo saber sobre o que essas pessoas fazem em um mosteiro, perguntou, "Quem era o Mestre mais famoso?"
      Descobrindo que o Mestre mais famoso daqueles tempos era Nan-in, ele foi ao mosteiro dele. Quando ele entrou no mosteiro ele encontrou um lenhador. Ele o perguntou, "O mosteiro é grande, onde eu encontro Mestre Nan-in?"
      O homem fechou os olhos e pensou por alguns instantes, e ele disse, "Agora você não conseguirá encontrá-lo."
      O rei disse, "Por que eu não conseguirei encontrá-lo agora? Você sabe que eu sou o imperador?"
      Ele disse, "Isso é irrelevante. Quem quer que você seja, isso é problema seu, mas eu lhe garanto que você não conseguirá encontrá-lo agora."
      "Ele saiu?" perguntou o rei.
      "Não, ele está ai," respondeu o lenhador.
      O rei disse, "Mas ele está trabalhando, está em alguma cerimônia, ou em isolamento? Qual é o problema?
      O homem disse, "Ele está agora cortando lenha na sua frente. E quando eu estou cortando lenha, eu sou só um lenhador. Agora, onde está Mestre Nan-in? Eu sou só um lenhador. Você terá que esperar."
      O imperador pensou, "Esse homem é maluco, simplesmente maluco. Mestre Nan-in cortando lenha?
      Ele foi em frente, e deixou o lenhador para trás. Nan-in continuou cortando madeira. O inverno estava chegando,e precisava-se estocar lenha. O imperador poderia esperar, mas o inverno não esperaria. O imperador esperou por uma hora, duas horas - e então pela porta dos fundos veio Mestre Nan-in, em seu traje de Mestre. O rei olhou para ele. E ele se parecia com o lenhador, mas o rei curvou-se.
      O Mestre sentou-se, e perguntou, "Por que você dificultou tanto a sua vinda até aqui?"
      O rei disse, "Tem muitas coisas, mas deixarei as perguntas para depois. Primeiro eu quero saber: você é o mesmo homem que estava cortando lenha?"
      Ele disse, "Agora eu sou Mestre Nan-in. Eu não sou o mesmo homem; tudo se transformou. Agora eu estou aqui sentado como Mestre Nan-in. E você pergunte como um discípulo, com humildade, receptividade. Sim, um homem muito, muito parecido comigo estava cortando lenha, mas aquele era o lenhador. O nome dele também é Nan-in."
      O rei ficou tão intrigado que foi embora sem perguntar o que ele tinha vindo perguntar. Quando ele voltou para a corte, seus assessores perguntaram o que tinha acontecido.
      Ele disse, "O que aconteceu é melhor ser esquecido. Esse Mestre Nan-in parece ser absolutamente insano! Ele estava cortando lenha e disse, ‘Eu sou o lenhador e Mestre Nan-in não está disponível no momento.’ Então o mesmo homem veio em trajes de Mestre e eu o perguntei, e ele disse, ‘Um homem parecido estava cortando lenha, mas ele era o lenhador; Eu sou o Mestre.”
      Um dos homens da corte disse, "Você perdeu o ponto do que ele estava tentando lhe dizer - que quando ele corta lenha ele está totalmente envolvido nisso. Nada é deixado que possa ser parte de Mestre Nan-in; nada é deixado, ele é apenas um lenhador." E na linguagem Zen, que é difícil de se traduzir, ele não dizia exatamente que "Eu sou um lenhador", ele dizia, "Agora a lenha esta sendo cortada não um lenhador porque não há nem mesmo espaço para o lenhador." É simplesmente lenha sendo cortada, e ele está tão envolvido nisso, que é só lenha sendo cortada: o corte da lenha está acontecendo. E quando ele vem como Mestre, claro, é em uma qualidade diferente. As mesmas partes estão agora num diferente acordo.
      Assim, em cada ação você é uma pessoa diferente, se você envolve-se totalmente nisso. Buddha costumava dizer, "É como a chama de uma vela que parece ser a mesma, mas nunca é a mesma nem sequer por dois momentos consecutivos. A chama está continuamente se tornando fumaça, e nova chama está surgindo. A velha chama está indo, a nova chama está chegando. A vela que você acendeu a noite não é a mesma vela que você assoprará pela manhã. Esta não é a mesma chama que havia começado; aquela já se foi, ninguém sabe para onde. É apenas a semelhança da chama que lhe deu a ilusão de que esta é a mesma chama."
      O mesmo acontece com o seu ser. É uma chama. É um fogo. A cada momento o seu ser está mudando, e se você se envolver totalmente em qualquer ação você verá como a mudança acontece em você - cada momento um novo ser, e um novo mundo, e uma nova experiência. Tudo de repente se torna tão cheio de novidade que você nunca vê a mesma coisa duas vezes.
      Então, naturalmente, a vida se torna um mistério contínuo, uma surpresa contínua. Em cada passo um novo mundo se abre, de tremendo significado, de um êxtase incrível. E quando a morte chega, a morte também não é vista com algo separado da vida. É parte da vida, não um fim da vida. É exatamente como os outros acontecimentos: o amor aconteceu, o nascimento aconteceu. Você era uma criança, e então sua infância desapareceu; você se tornou jovem, e então sua juventude desapareceu; você se tornou velho, e então a velhice desapareceu - quantas coisa já aconteceram! Por que você não permite que a morte também aconteça assim como os outros incidentes? E, na verdade, a pessoa que viveu a vida momento a momento, vive a morte também, e descobre que todos os momentos da vida podem ser postos de um lado e que o momento da morte pode ser posto do outro lado, e ainda assim pesa mais. Em todos os sentidos pesa mais porque é a vida toda condensada; e algo a mais é adicionado à ela, o qual nunca foi disponível a você. Uma nova porta se abre, com toda a vida condensada: uma nova dimensão se abre.

  
            

APENAS UM PASSO!


      Apenas um passo!
      “Digambara,      Sim, na verdade nem mesmo um… Porque nós não vamos a lugar algum. Nós já estamos em Deus! Eu digo ‘apenas um passo’ só para consolá-lo, porque se não houver passo para dar você vai ficar confuso. Então eu reduzi ao mínimo - apenas um passo - de modo que alguma coisa permanecesse para você fazer, pois você só entende a linguagem do fazer. Você é um fazedor! Se eu disser, ‘Nada precisa ser feito, nem mesmo um simples passo tem que ser dado’, você se sentirá perdido num jogo de cara ou coroa.      A verdade é que nem mesmo um simples passo é necessário. Sentado silenciosamente, nada fazendo, a primavera chega e a grama cresce por si mesma. Mas isto pode não ser simples. A sua mente fazedora pode simplesmente ignorar isto ou pode pensar que tudo isto é tolice. Como você pode alcançar Deus sem fazer coisa alguma? Sim, um atalho a mente pode entender; é por isto que eu digo ‘um simples passo’. Isto é o mais curto, não pode ser reduzido a menos que isto.      Um simples passo! Isto é apenas para que você compreenda que o fazer é não-essencial. Para se alcançar o ser, o fazer é absolutamente não-essencial. Quando você concordar e se convencer de que apenas um passo é necessário, eu irei sussurar em seu ouvido, ‘Nem mesmo um – você já está lá!’      Rabiya, uma grande mística Sufi, estava passando. Ela costumava passar naquela rua todos os dias quando ia para o mercado onde anunciava em alta voz a verdade que ela havia alcançado. E por muitos dias ela esteve observando um místico muito conhecido, Hasan, que se sentava do lado de fora da mesquita e rezava, ‘Deus, abra a porta! Por favor, abra a porta! Deixe-me entrar!’      Mas, naquele dia, Rabiya não conseguiu tolerar aquilo. Hasan estava chorando, as lágrimas estavam rolando, e ele gritava repetidas vezes, ‘Abra as portas! Deixe-me entrar! Por que você não me escuta? Por que você não atende às minhas preces?’      Todos os dias ela ria; sempre que ela ouvia Hasan, ela ria. Mas, hoje, aquilo estava demais. As lágrimas... E Hasan estava chorando de verdade, um choro que vinha de seu coração. Ela foi até ele, sacudiu-o e disse, ‘Pare com toda esta tolice! A porta está aberta – na verdade você já está dentro!’
      Hasan olhou para Rabiya e aquele foi um momento de revelação. Ao olhar dentro dos olhos de Rabiya, ele se curvou e tocou-lhe os pés, dizendo, ‘Você chegou na hora certa, senão eu iria continuar pedindo por toda a minha vida! Por anos eu tenho feito isto. Onde você estava antes? Eu sei que você passa por esta rua todos os dias. Você já devia ter visto o meu choro e minha prece.’
      
Rabiya disse, ‘Sim, mas a verdade somente pode ser dita no momento certo, no espaço certo, no contexto certo. Eu estava esperando pelo momento certo e maduro. Se eu lhe tivesse dito ontem, você teria ficado irritado, teria ficado com raiva. Você poderia ter reagido antagonicamente; você poderia me responder, ‘Você perturbou a minha prece!’ E não é correto perturbar a prece de ninguém. Mesmo a um rei não é permitido perturbar a prece de um mendigo. Mesmo se um criminoso, um assassino, estiver orando, nos paises muçulmanos, a polícia tem que esperar até que ele termine a prece. Somente depois ele pode ser preso. A prece não deve ser perturbada.       Rabiya disse, ‘Eu queria lhe dizer para deixar de ser tolo, que a porta está aberta, e que, na verdade, você já está dentro! Mas eu tive que esperar pelo momento certo.’ 

Osho Transformation Tarot - The Quest
      Digambara, eu digo ‘apenas um passo’ e mesmo isto parece ser inacreditável para você, daí o seu questionamento. 
      Osho,      Apenas um passo!
      Nem mesmo um, Digambara. Mas o momento certo ainda não chegou, pelo menos para você. Quando ele chegar, eu irei sussurrar em seus ouvidos, ‘Você já está dentro. Nem mesmo um simples passo é necessário’ porque nós não estamos indo para fora. Os passos são necessários para ir para o lado de fora. Eles não são necessários para ir para dentro.     É como um homem sonhando e no seu sonho ele vai para muito longe. E ele terá uma grande jornada para voltar para casa. Ele está em sua casa, dormindo, mas em seu sonho ele pode estar em Timbuctoo. É preciso apenas sacudi-lo.      Assim como Rabiya sacudiu Hasan, um dia eu irei sacudi-lo Digambara. É preciso apenas lhe jogar uma água fria, uma água gelada, e com o choque você vai abrir os olhos. Você acha que irá me perguntar, ‘Como eu volto para casa, pois estou em Timbuctoo?’ Não, você não irá perguntar, pois você vai poder ver que já está em casa, que você apenas estava dormindo e tinha sonhado com Timbuctoo. Você nunca foi lá.       Você nunca esteve fora de Deus! Você não consegue, é impossível, porque somente Deus existe. Para onde nós podemos ir? Não existe lugar onde Deus não esteja. Nós estamos sempre nele e ele está sempre em nós. Mas isto precisa de um despertar.      Nem mesmo um passo. Isto é apenas para trazê-lo mais próximo da verdade. Aos poucos você tem que ser persuadido. Mil passos são reduzidos para um passo e depois eu tirarei também aquele passo de você. Mas para isto é preciso um momento certo. A Verdade última somente pode ser dita numa situação certa e madura.       E esse momento também chegará. Simplesmente esteja pronto para recebê-lo e acolhê-lo...”

Siga a sua natureza.


     Veja o falso como falso,
o verdadeiro como verdadeiro.
Olhe para o seu coração.
Siga a sua natureza
(Buda)
O texto que traduzimos abaixo é parte de uma das palestras de Osho sobre "O Dhammapada".  Ela foi proferida no dia 23 de junho de 1979. O Dhammapada é considerado a essência dos ensinamentos de Buda.
            
          "Esta é uma das mais belas declarações: 'Olhe para o seu coração. Siga a sua natureza'.
         Buda não está dizendo, siga as escrituras. Ele não está dizendo, siga-me. Ele não está dizendo, siga certas regras de conduta. Ele não está ensinando a você qualquer moralidade. Ele não está tentando criar um certo caráter em você, porque todo caráter é uma bela cela de uma prisão. Ele não está dando a você um certo caminho para viver. Ao invés disso, ele está lhe dando coragem para seguir a sua própria natureza. Ele quer que você seja corajoso o bastante para ouvir o seu próprio coração e seguir, de acordo com ele.
         'Siga a sua natureza' quer dizer: flua com você mesmo. Você é a escritura... e escondido lá no fundo de você ainda está uma pequena voz. Se você se tornar silencioso, você será guiado por ela.
          O Mestre tem apenas que tornar você consciente de seu Mestre interior. Aí a sua função estará completa. Aí ele poderá deixar você consigo mesmo, ele poderá mandar você de volta para você mesmo. A proposta de um Mestre não é escravizar um discípulo, a proposta de um Mestre é libertá-lo, é lhe dar total liberdade. E essa é a única possibilidade de se atingir a liberdade total: 'Siga a sua natureza'.
          Por 'natureza', Buda quer dizer Dhamma. Assim como é da natureza da água fluir para baixo e é da natureza do fogo se expandir para o alto, assim existe uma certa natureza escondida dentro de você. Se todos os condicionamentos que foram impostos a você pela sociedade forem removidos, de repente você irá descobrir a sua natureza.
          A sua natureza é tornar-se Deus. Ais Dhammo sanantano - essa é a lei eterna e inesgotável: sua natureza é tornar-se Deus.
          O homem é um Deus em potencial, um bodhisattva. O significado do homem é tornar-se Deus. Menos do que isso não irá satisfazer você, menos do que isso não terá utilidade. Você pode ter todo o dinheiro do mundo, todo o poder, todo o prestígio possível, e ainda assim você permanecerá vazio.A não ser que a sua natureza divina floresça, abra os seus botões, a não ser que você se torne um lótus, mil pétalas de lótus, a não ser que a sua divindade seja revelada a você, você nunca estará satisfeito.Ao homem religioso comum é dito para que permaneça satisfeito e contente, em qualquer que seja a situação. Os chamados santos religiosos seguem ensinando às pessoas: 'fique satisfeito'. A satisfação é um de seus ensinamentos fundamentais. Esse não é o caminho dos verdadeiros Mestres.
          O Mestre verdadeiro cria o descontentamento em você, um tal descontentamento que nada neste mundo poderá satisfazê-lo. Ele cria um tal anseio em você, que a não ser que você alcance o máximo, você irá permanecer sem fogo, sem chama. Ele cria dor em seu coração, ele cria angústia...porque a vida está escorregando a todo momento, e cada momento que se foi, se foi para sempre, e você ainda não alcançou Deus e mais um dia já se passou.
          Ele cria um tal anseio profundo em você, uma tal dor em seu coração! Ele cria lágrimas em seus olhos, porque somente através desse divino descontentamento, você irá se mover, você dará o salto quântico, o salto maior em direção ao desconhecido. Somente através desse divino descontentamento é que você reunirá todas as suas energias e se arriscará, indo até a aventura maior que é descobrir quem você é.
          Siga a sua própria natureza. A sua natureza é a consciência. Mas os padres disseram a você: siga certas regras de conduta, os Dez Mandamentos, siga certos princípios, não a sua natureza. Os padres têm muito medo da sua natureza, porque se você seguir a sua natureza você irá sair de seu controle, você não será mais um escravo. Você não irá mais às igrejas, aos templos e aos mosteiros, e você não irá mais ouvir seus estúpidos padres, políticos, os chamados líderes. Eu digo que eles são os 'chamados líderes' porque o que na verdade está acontecendo é que pessoas cegas estão guiando pessoas cegas.
          Se você ouvir à sua própria natureza, você não irá ouvi-los mais. Se você conhecer a sua própria voz interior, você se tornará livre. Então, a sua voz interior tem que ser esmagada, destruída, completamente destruída, ou pelo menos distorcida de tal maneira que mesmo se você ouvi-la, você não poderá entendê-la. E eles têm sido bem sucedidos. A não ser que você lute arduamente contra eles, não haverá possibilidade de sucesso. A exploração deles é tão velha, a opressão deles é tão antiga, as estratégias deles são tão espertas... e eles têm um poder infinito em suas mãos. E quem é você individualmente contra eles?
          Mas se você for para dentro, se você ouvir o seu coração, você irá alcançar um tal poder que nenhum poder na Terra poderá escravizá-lo de novo.
          Siga a sua natureza. Mas como seguir a sua natureza, se você não sabe o que ela é? E não lhe é permitido saber o que ela é! Você recebeu instruções precisas sobre o que fazer: o que comer, quando levantar-se de manhã, quando ir para a cama...Você recebeu instruções precisas. Aquelas instruções, se seguidas, fazem de você um escravo. Se não seguidas, fazem de você um criminoso. Se seguidas, você se torna um santo, mas um escravo. As pessoas irão adorá-lo, respeitá-lo, mas todo esse respeito é um entendimento mútuo: 'Se você seguir as nossas instruções, nós respeitaremos você. Se você não seguir, você irá para a prisão.'
          Ou você se tornará espiritualmente um escravo ou fisicamente um prisioneiro: essas são as duas alternativas que a sociedade dá a você. E isso nunca permite a você se tornar consciente de que existe dentro de você uma fonte de infinita orientação e direcionamento. E é de lá que Deus fala.
          Deus ainda fala, ele não parou de falar. Ele não é parcial. Não é que ele tenha falado a Maomé e a Moisés e que ele não fala a você. Ele está falando a você tanto quanto ele falou para Maomé. A única diferença é que Maomé estava pronto para ouvi-lo e você não está pronto para ouvi-lo. Maomé estava disponível e você não está disponível.
          Tornar-se disponível à sua própria natureza interior é o que eu chamo de meditação.
          Lembre-se dessas duas palavras. O caráter é uma invenção dos políticos e dos padres, é uma conspiração contra você. A consciência é a sua natureza. Sim, o homem de consciência tem um certo caráter, mas esse caráter segue a sua natureza. Não lhe foi imposto por alguém, esse caráter é a sua própria decisão. E ele não está preso a esse caráter, ele está totalmente livre para mudá-lo a qualquer momento. As circunstâncias mudam, a sua consciência lhe dá diferentes direções e ele muda o seu caráter.
          O homem de caráter, o 'chamado homem de caráter', está preso. Mesmo se as circunstâncias mudarem ele segue repetindo o mesmo caráter, mesmo que não seja mais relevante, mesmo que não seja mais adequado. O contexto no qual ele tinha um significado desapareceu, mas ele segue repetindo as mesmas tolices. Ele é como um papagaio. Ele é uma máquina: ele não responde, ele simplesmente reage.
          Um homem de consciência responde e suas respostas são espontâneas. Ele é como um espelho. Ele reflete tudo aquilo que se confronta com ele. E a partir dessa espontaneidade, a partir dessa consciência, um novo tipo de ação surge. Essa ação nunca cria qualquer escravidão, qualquer carma. Essa ação liberta você. Você alcança a liberdade se você ouvir a sua natureza.
          Mas esse simples conselho parece ser muito difícil para as pessoas. Ele deveria ser a coisa mais simples do mundo. Cada criança nasce seguindo sua natureza, mas na medida em que você cresce, pouco a pouco você vai perdendo o contato com ela. Você é forçado a perder o contato com ela. O contato pode ser recuperado, ele pode ser redescoberto. Anos mais tarde, quando você tiver se tornado uma pessoa culta, preso dentro de um certo caráter, completamente cego para com seu coração e sua natureza, você começa a formular muitas perguntas.
          Outro dia, o Prem Vijen perguntou: 'Osho, o que você quer dizer quando você diz Vá para dentro?'
          Uma declaração tão simples, 'Vá para dentro', e você me pergunta 'o que eu quero dizer com ela?' Você não consegue entender estas simples palavras, 'vá para dentro'? Eu sei que você conhece as palavras, mas ir para dentro tornou-se muito difícil porque você só aprendeu como ir para fora. Você só pode ir para fora, você só sabe como ir, se for para fora.A sua consciência está voltada para os outros, ela esqueceu o caminho para ela mesma. Você segue batendo na porta dos outros e sempre que é dito a você, 'vá para casa' você diz: ' Osho, o que você quer dizer com ir para casa?' Você só conhece as casas dos outros, você não conhece o seu próprio lar. E você está carregando esse lar dentro de você. Você foi forçado a ser extrovertido. Você tem que aprender de novo o caminho de ir para dentro.
          Soren Kierkegaard disse: 'Religião significa ir para dentro', ir para a sua própria interioridade. Mas as simples palavras 'ir para dentro' tornaram-se tão difíceis de entender. A mente conhece apenas como ir para fora, e nela não há qualquer marcha a ré....
          Eu estou ensinando a você aqui que a marcha a ré está aí, embutida, você apenas se esqueceu dela. Você sabe como ir para fora. Ninguém pergunta 'O que você quer dizer quando diz 'vá para fora'?'. Mas todo mundo quer perguntar 'O que você quer dizer quando diz 'vá para dentro'?'. Simples palavras!
          Pensar é ir para fora e não pensar é ir para dentro. Pense e você já começou a se mover para fora de si mesmo. O pensamento é a maneira de levar você para longe. O pensamento é um projeto. Não-pensamento... e de repente você está dentro. Sem pensamento você não pode ir para fora, sem desejo você não pode ir para fora. Você precisa do combustível do desejo e do veículo do pensamento para ir para fora.
          Sentando-se silenciosamente, nada fazendo... nem mesmo pensando, nem mesmo desejando... e onde você estará?
          Ir para dentro não é verdadeiramente ir para dentro. É simplesmente parar de ir para fora... e de repente você encontra a si mesmo dentro.
          Prem Vijen, você não precisa ir para dentro porque se você for, você irá sempre para fora. Ir significa ir para fora. Pare de ir! Pare de ir a qualquer lugar! Você consegue sentar-se silenciosamente sem ir a qualquer lugar? Sim, fisicamente você pode sentar-se, isso não é muito difícil. Você pode aprender uma postura de yoga e você pode fazer de seu corpo quase uma estátua, mas o problema é: o que você está fazendo do lado de dentro? Desejos, pensamentos, memórias, imaginação, todos os tipos de projetos? Pare com eles também.
          Como parar com eles? Simplesmente torne-se indiferente a eles, despreocupado. Mesmo que eles estejam ali, não dê atenção a eles. Mesmo que eles estejam ali, não lhes dê qualquer importância. Mesmo que eles estejam ali, deixe-os estar. Sente-se silenciosamente do lado de dentro, observando. Lembre-se dessa palavra: observando, testemunhando, simplesmente estando alerta.
          E na medida em que esse observar cresce, se torna mais profundo, a mesma energia que estava se tornando desejos, pensamentos, memórias e imaginação, essa mesma energia é absorvida em nova profundidade. A mesma energia é usada por esse aprofundamento interno. E você saberá o que quero dizer quando digo 'Vá para dentro'.
          Não comece a procurar nos dicionários ou na Enciclopédia Britânica. Não é uma questão de palavras. Palavras são simples para compreender. Quando eu digo 'Vá para dentro', é isso exatamente o que eu quero dizer: vá para dentro! Não comece a perguntar sobre as palavras. Escute a mensagem oculta, senão você irá perder o trem. O que eu quero dizer com 'perder o trem'?.........
          Se você se tornar muito interessado em palavras, 'O que quer dizer com ir para dentro? O que isso quer dizer...?' Verbalmente, lingüisticamente, Vijen, você vai perder o trem. Não desperdice tempo com palavras!
          E essa é particularmente uma nova espécie de doença que tem atingido os intelectuais do mundo. Pelo menos por cinqüenta anos, o mundo filosófico tem se tornado muitíssimo interessado em palavras e análises lingüísticas. Eles não perguntam mais o que é Deus. Eles não perguntam mais se Deus existe ou não. Os filósofos contemporâneos perguntam, 'O que quer dizer quando você usa a palavra Deus?' A questão não é se Deus existe ou não. A questão não é o que é Deus. A questão não é como se alcança Deus. Agora a questão tomou uma nova direção: 'O que você quer dizer quando você usa a palavra Deus?' O que você quer dizer quando você usa a palavra rosa? Essa questão é mais fácil. Você pode pegar o filósofo, forçá-lo a ir até o jardim e mostrar a ele a rosa. 'Isso é o que eu quero dizer quando eu uso a palavra rosa'. Mas isso não pode ser feito com a palavra Deus, isso não pode ser feito com a palavra meditação, isso não pode ser feito com as palavras 'vá para dentro'. Estes são fenômenos sutis. Não se torne um interessado em lingüística. Eu não estou aqui para ensinar análise lingüística a você.
          Toda a minha abordagem é existencial. Se você realmente quer saber o que significa ir para dentro, então vá para dentro! E o caminho é: observe os seus pensamentos e não se identifique com eles. Simplesmente permaneça um observador, completamente indiferente, nem contra nem a favor. Não julgue, porque qualquer julgamento traz identificação. Não diga, 'Estes pensamentos são errados' e não diga, 'Estes pensamentos são bons'. Não faça comentários sobre os pensamentos. Deixe que eles passem como se eles fossem apenas a passagem do tráfego e você está de pé ali ao lado da rodovia despreocupado, olhando o tráfego. Não interessa o que está passando, um ônibus, um caminhão ou uma bicicleta. Se você puder observar o processo de pensamentos de sua mente com tal despreocupação, com tal desapego, não estará longe o dia em que todo o tráfego desaparece... porque o tráfego somente pode existir se você seguir dando energia para ele. Se você parar de dar energia para ele... E isso é o observar: parar de dar energia para isso, parar a energia que se move dentro do tráfego. É a sua energia que faz aqueles pensamentos se moverem. Quando a sua energia não os está alimentando, eles começam a cair, eles não conseguem se manter em pé por si mesmos.
          E quando a rodovia da mente estiver completamente vazia, você está dentro. Isso é o que eu quero dizer, Vijen, quando eu digo 'Vá para dentro'. E isso é o que Buda quer dizer quando ele diz: 'Siga a sua natureza'."

A ARTE DE VIVER

  "O homem nasce para atingir a vida, mas tudo depende dele. Ele pode perdê-la. Ele pode seguir respirando, ele pode seguir comendo, ele pode seguir envelhecendo, ele pode seguir se movendo em direção ao túmulo - mas isso não é vida. Isso é morte gradual, do berço ao túmulo, uma morte gradual com a duração de setenta anos. E porque milhões de pessoas ao redor de você estão morrendo essa morte lenta e gradual, você também começa a imitá-los.  As crianças aprendem tudo daqueles que estão em volta delas e nós estamos rodeados pelos mortos. Então temos que entender primeiro o que eu entendo por 'vida'. Ela não deve ser simplesmente envelhecer. Ela deve ser desenvolver-se. E isso são duas coisas diferentes. Envelhecer, qualquer animal é capaz. Desenvolver-se é prerrogativa dos seres humanos. Somente uns poucos reivindicam esse direito. 
      Desenvolver-se significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida; significa afastar-se da morte - não ir na direção da morte. Quanto mais profundo você vai para dentro da vida, mais entende a imortalidade dentro de você. Você está se afastando da morte: chega a um momento em que você pode ver que a morte não é nada, apenas um trocar de roupas ou trocar de casas, trocar de formas - nada morre, nada pode morrer. A morte é a maior ilusão que existe. 
      Como desenvolver-se? Simplesmente observe uma árvore. Enquanto a árvore cresce, suas raízes crescem para baixo, tornam-se mais profundas. Existe um equilíbrio; quanto mais alto a árvore vai, mais fundo as raízes vão. Na vida, desenvolver-se significa crescer profundamente para dentro de si mesmo - que é onde suas raízes estão. 
      Para mim o primeiro princípio da vida é meditação. Tudo o mais vem em segundo lugar. E a infância é o melhor momento. À medida que você envelhece, significa que você está chegando mais perto da morte, e se torna mais e mais difícil entrar em meditação. Meditação significa entrar na sua imortalidade, entrar na sua eternidade, entrar na sua divindade. E a criança é a pessoa mais qualificada porque ela ainda está sem a carga da educação, sem a carga de todo o tipo de lixo. Ela é inocente.  Mas infelizmente a sua inocência está sendo considerada como ignorância. Ignorância e inocência tem uma similaridade, mas elas não são a mesma coisa. Ignorância também é um estado de não conhecimento, tanto quanto a inocência é. Mas também existe uma grande diferença que passou despercebida por toda a humanidade até agora. A inocência não é instruída - mas também não é desejosa de ser instruída. Ela é totalmente contente, preenchida...
      O primeiro passo na arte de viver será criar uma linha de demarcação entre ignorância e inocência. Inocência tem que ser apoiada, protegida - porque a criança trouxe com ela o maior tesouro, o tesouro que os sábios encontram depois de esforços árduos. Os sábios têm dito que se tornaram crianças novamente, que eles renasceram...
      Sempre que você perceber que perdeu a oportunidade da vida, o primeiro princípio a ser trazido de volta é a inocência. Abandone o seu conhecimento, esqueça as suas escrituras, esqueça as suas religiões, suas teologias, suas filosofias. Nasça novamente, torne-se inocente - e a possibilidade está em suas mãos. Limpe a sua mente de todo conhecimento que não foi descoberto por você mesmo, de todo conhecimento que foi tomado emprestado dos outros, tudo o que veio pela tradição, convenção, tudo o que lhe foi dado pelos outros - pais, professores, universidades. Simplesmente desfaça-se disso. Novamente seja simples, mais uma vez seja uma criança. E esse milagre é possível pela meditação.
      Meditação é apenas um método cirúrgico não convencional que corta tudo aquilo que não é seu e só preserva aquilo que é o seu autêntico ser. Ela queima tudo o mais e o deixa nu, sozinho embaixo do sol, no vento. É como se você fosse o primeiro homem que tivesse descido na Terra - que nada sabe e que tem que descobrir tudo, que tem que ser um buscador, que tem que ir em peregrinação.
      O segundo princípio é a peregrinação. A vida deve ser uma busca - não um desejo, mas uma pesquisa: não uma ambição para tornar-se isso, para tornar-se aquilo, um presidente de um país, ou um primeiro-ministro, mas uma pesquisa para encontrar 'Quem sou eu?'. É muito estranho que as pessoas que não sabem quem elas são, estão tentando se tornar alguém. Elas nem mesmo sabem quem elas são neste momento! Elas não conhecem os seus seres - mas elas têm um objetivo de vir a ser. Vir a ser é a doença da alma. O ser é você e descobrir o seu ser é o começo da vida. Então cada momento é uma nova descoberta, cada momento traz uma alegria. Um novo mistério abre as suas portas, um novo amor começa a crescer em você, uma nova compaixão que você nunca sentiu antes, uma nova sensibilidade a respeito da beleza, a respeito da bondade.
      Você se torna tão sensível que até a menor folha de grama passa a ter uma importância imensa para você. Sua sensibilidade torna claro para você que essa pequena folha de grama é tão importante para a existência quanto a maior estrela; sem esse folha de grama, a existência seria menos do que é. E essa pequena folha de grama é única, ela é insubstituível, ela tem a sua própria individualidade.
      E essa sensibilidade criará novas amizades para você - amizades com árvores, com pássaros, com animais, com montanhas, com rios, com oceanos, com as estrelas. A vida se torna mais rica enquanto o amor cresce, enquanto a amizade cresce...
      Quando você se torna mais sensível, a vida se torna maior. Ela não é um pequeno poço, ela se torna oceânica. Ela não está confinada a você, sua esposa e seus filhos - ela não é confinada de jeito algum. Toda essa existência se torna a sua família e a não ser que toda essa existência seja a sua família, você não conheceu o que é a vida. - porque homem algum é uma ilha, nós estamos todos conectados. Nós somos um vasto continente, unidos de mil maneiras. E se o nosso coração não está cheio de amor pelo todo, na mesma proporção a nossa vida é diminuída. 
      A meditação lhe traz sensibilidade, uma grande sensação de pertencer ao mundo. Este é o nosso mundo - as estrelas são nossas e nós não somos estrangeiros aqui. Nós pertencemos intrinsecamente à existência. Nós somos parte dela, nós somos o coração dela. 
      Em segundo lugar, a meditação irá lhe trazer um grande silêncio - porque todo o lixo do conhecimento foi embora, pensamentos que são partes do conhecimento foram embora também... Um imenso silêncio e você é surpreendido - esse silêncio é a única música que existe. Toda música é um esforço para manifestar esse silêncio de algum modo. 
      Os videntes do antigo oriente foram muito enfáticos a respeito da questão de que todas as grandes artes - música, poesia, dança, pintura, escultura - são todas nascidas da meditação. Elas são um esforço para, de algum modo, trazer o incompreensível para o mundo do conhecimento, para aqueles que não estão prontos para a peregrinação - presentes para aqueles que ainda não estão prontos para partirem na peregrinação. Talvez uma canção possa despertar um desejo de ir em busca da fonte, talvez uma estátua. 
      Na próxima vez que em você entrar em um templo de Gautama Buda ou de Mahavira, sente-se silenciosamente e olhe a estátua... porque a estátua foi feita de tal forma, em tal proporção que se você olhá-la, você cairá em silêncio. É uma estátua de meditação; não é a respeito de Gautama Buda ou de Mahavira...
      Naquele estado oceânico, o corpo toma uma certa postura. Você próprio já observou isso, mas não estava alerta. Quando você está com raiva, você observou? seu corpo tomou uma certa postura. Na raiva você não pode manter as suas mãos abertas: na raiva, a mão se fecha. Na raiva você não pode sorrir - ou você pode? Com uma certa emoção, o corpo tem que seguir uma certa postura. Pequenas coisas estão profundamente relacionadas no interior...
      Uma certa ciência secreta foi usada por séculos, de modo que as gerações futuras pudessem entrar em contato com as experiências das gerações mais velhas - não através de livros, não através de palavras, mas através de algo que vai mais profundo - através do silêncio, através da meditação, através da paz. À medida que seu silêncio cresce, sua amizade cresce, seu amor cresce; sua vida se torna uma dança, momento a momento, uma alegria, uma celebração.
      Você já pensou sobre o porquê, em todo o mundo, em toda cultura, em toda sociedade, existem uns poucos dias no ano para a celebração? Esses poucos dias para a celebração são apenas uma compensação - porque essas sociedades tiraram toda a celebração de sua vida e se nada é dado para você em compensação, sua vida pode tornar-se um perigo para a cultura. Toda cultura criou alguma compensação e assim você não se sentirá completamente perdido na miséria, na tristeza... Mas essas compensações são falsas. Mas no seu mundo interior pode existir uma continuidade de luz, canções, alegria.
      Sempre lembre-se que a sociedade o compensa quando ela sente que a repressão pode explodir em uma situação perigosa se não for compensada. A sociedade encontra algum jeito de lhe permitir soltar a repressão. Mas isso não é a verdadeira celebração, e não pode ser verdadeira. A verdadeira celebração deveria vir de sua vida, na sua vida.
      E a celebração não pode estar de acordo com o calendário, que no primeiro dia de novembro você irá celebrar. Estranho, o ano todo você é miserável e no primeiro dia de novembro, de repente, você sai da miséria, dançando. Ou a miséria era falsa ou o primeiro de novembro é falso.; ambos não podem ser verdadeiros. E uma vez que o primeiro de novembro se vai, você está de volta em seu buraco negro, todo mundo em sua miséria, todo mundo em sua ansiedade. 
      A vida deveria ser uma celebração contínua, um festival de luzes por todo o ano. Somente então você pode se desenvolver, você pode florir. Transforme pequenas coisas em celebração... Tudo o que você faz deveria expressar a si próprio; deveria ter a sua assinatura. Então a vida se torna uma celebração contínua. 
      Inclusive se você adoece e você está deitado na cama, você fará daqueles momentos de repouso, momentos de beleza e alegria, momentos de relaxamento e descanso, momentos de meditação, momentos para ouvir música ou poesia. Não há necessidade de ficar triste porque você está doente. Você deveria estar feliz porque todo mundo está no escritório e você está na cama como um rei, relaxando - alguém está preparando chá para você, o samovar está cantando uma canção, um amigo se oferece para vir e tocar flauta para você. Essas coisas são mais importantes do que qualquer remédio. Quando você está doente, chame um médico. Mas, mais importante, chame aqueles que o amam porque não existe remédio mais importante que o amor. Chame aqueles que podem criar beleza, música, poesia à sua volta, porque não existe nada que cure como uma atmosfera de celebração.
      O medicamento é o mais baixo tipo de tratamento. Mas parece que nós esquecemos tudo, assim nós temos que depender dos medicamentos e ficar rabugentos e tristes - como se você estivesse perdendo uma grande alegria que havia quando você estava no escritório! No escritório você era miserável - simplesmente um dia de folga, mas você também se agarra à miséria, você não a deixa ir. 
      Faça todas as coisas criativas, faça o melhor a partir do pior - isso é o que eu chamo de arte. E se um homem viveu toda a vida fazendo a todo momento uma beleza, um amor, um desfrute, naturalmente a sua morte será o supremo pico no empenho de toda a sua vida.
      Os últimos toques... sua morte não será feia como ordinariamente acontece todo dia com todo mundo. Se a morte é feia, isso significa que toda a sua vida foi um desperdício. A morte deveria ser uma aceitação pacífica, uma entrada amorosa no desconhecido, um alegre despedir-se dos velhos amigos, do velho mundo...
      Comece com a meditação e muitas coisas crescerão em você - silêncio, serenidade, êxtase, sensibilidade. E o que quer que venha com a meditação, tente trazer para a sua vida. Compartilhe isso, porque tudo o que é compartilhado cresce mais rápido. E quando você atingir o momento da morte, você saberá que não existe morte. Você pode dizer adeus, não existe nenhuma necessidade de lágrima de tristeza - talvez lágrimas de felicidade, mas não de tristeza."
                                                                                        OSHO, O Livro da Cura

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013




Muitas vezes damos importância demais para problemas que não afetam nossa vida em nenhum sentido. Muitas vezes ficamos assustados com o que vai acontecer com o nosso futuro, e esquecemos de que nem o passado nem o futuro importam, apenas o presente. Apesar de todos os problemas, todas as confusões, nunca deixe seu presente ser abalado. Aliás, a vida é uma só, e não existe passado nem futuro depois que morremos, pois ela é feita apenas de presente. Então viva o hoje e seja feliz enquanto há tempo.(odeio∞rotulos) 

M
uitas vezes damos importância demais para problemas que não afetam nossa vida em nenhum sentido. Muitas vezes ficamos assustados com o que vai acontecer com o nosso futuro, e esquecemos de que nem o passado nem o futuro importam, apenas o presente. Apesar de todos os problemas, todas as confusões, nunca deixe seu presente ser abalado. Aliás, a vida é uma só, e não existe passado nem futuro depois que morremos, pois ela é feita apenas de presente. Então viva o hoje e seja feliz enquanto há tempo.
(odeiorotulos)

SAUDADES!

Eu tenho saudade do tempo que eu ia tomar banho e gritava: “Mãe, é pra lavar o cabelo?”, do tempo que eu só tinha levantar cedo pra assistir meus desenhos com minha coberta no sofá, minha mãe gritava: “Vem comer, senão vai esfriar”, ela dizia que se eu fosse uma boa criança no natal eu ganharia um presente de um tal de papai noel. Eu não me preocupava com gente falsa porque meus amigos imaginários eram os melhores. Nesse tempo a maior dor que eu já tive era os joelhos ralados ou quando eu arrancava a tampa do dedão correndo por ai, sempre tinha aquele amigo que na hora que a mãe tava indo embora a brincadeira ficava legal e eu não queria ir. Crianças de hoje tem tanta pressa de crescer rápido! Pra que? Ser adulto as vezes é uma merda é cheio de sentimentos e espinhas.